Raindrop: Pagan Poetry

Fábula do Arco-Íris

by on Dec.12, 2003, under Textos

Azul. Uma luz azul corta a escuridão. O pequeno raio segue, intocado, sempre na direção que foi lançado. A ele não importa o que irá iluminar.

E em um ponto ele se encontra com um raio amarelo. “Para onde vais, raio azul?”. O raio amarelo pergunta.

“Aonde vou? Como se isso o interessasse! Vou sempre em frente, na direção em que fui lançado. Como, aliás, todo raio de luz!”. A resposta do azul foi seca. O amarelo então foi embora.

Mais a frente se deparou com um feixe roxo, que tambem o perguntou: “Onde vais, raio azul?”.

Este, já irritado, respondeu: “Vou sempre em frente, ao invés de ficar me intrometendo na vida dos outros!”

E assim foi prosseguindo, sendo ainda interrompido por mais cinco raios em seu percurso, dando sempre respostas grossas às perguntas que faziam.

Até que, mais a frente, os sete raios voltaram juntos para falar com ele. “Ora, se não é nosso amigo anti-social! Olhe como juntos, sem sua preocupação de sempre seguir em frente, ficamos belos e chamativos! Formamos um arco-íris! E se voce parasse por um instante, se juntasse a nós, seria belo também!”

O raio azul sequer lhes deu atenção, seguindo sempre seu caminho. Só que estava rindo-se à medida que pensava: “Pobres tolos… Se orgulham de serem um arco-íris, e sequer percebem que sou o azul do céu que os envolve!”

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