Dia Chuvoso
by D on Jul.29, 2006, under Textos
Ela estava sentada com seu bloco de folhas em seu colo, e um lápis na mão. Porém o lápis estava estático como seus olhos, fixos em algum ponto distante além das nuvens que começavam a cobrir o céu. Um vento começava a soprar, criando ondas na grama ao redor da garota, anunciando que logo uma tempestade iria cair sobre a terra.
Um pingo caiu sobre o bloco que a garota segurava, molhando o grafite e ameaçando borrar o desenho incompleto. Outra gota. Mas o chão continuava seco. Lágrimas escorriam pelo rosto branco, contornando as feições, molhando os lábios e então cortando o ar até deitarem-se na folha de papel. Ela não tinha para onde ir. Para ela não fazia diferença se chovesse ou não. Ninguém se importaria se ela se molhasse. Nem ela.
Quando a chuva começou ela apenas deitou-se na relva e fechou os olhos. As gotas geladas caíam do céu sobre seu corpo, encharcando sua roupa e escondendo suas lágrimas. Não era a primeira vez que chorava na chuva, e tinha a certeza que não seria a última. Pensava na vida: nas pessoas que eram importantes e estavam longe… Nas pessoas que nem sabiam que ela existia… nas pessoas que estavam próximas e não se importavam..
De repente percebeu que não caíam mais gotas sobre seu rosto, e apenas suas lágrimas molhavam sua face agora. Abriu os olhos alarmada, e rolou assustada ao ver um rosto olhando o seu. Levantando do chão às pressas, viu que uma mulher a observava, segurando um guarda-chuva.
“Você pode pegar uma pneumonia ficando na chuva assim. Desculpe se assustei você…. Venha comigo, eu moro aqui perto. Você pode tomar um banho quente e se trocar”. A mulher falou com uma voz calma e com um olhar curioso. Ao terminar o convite, aproximou-se dela e colocou o guarda-chuvas sobre sua cabeça.
“Como é seu nome?” A mulher perguntou. A garota ficou em silêncio. “Eu não vou morder você…. Meu nome é Lilian.”. Apenas a chuva cortava o silêncio. Então a garota respondeu. “Bruna”.
As duas caminharam sem falar mais nada por alguns minutos. A chuva estava ficando cada vez mais forte, e o pequeno guarda-chuvas não foi suficiente para que chegassem secas na pequena casa que a mulher morava. Ao entrarem, Lilian colocou de lado o guarda chuva, tirando a camisa encharcada. Bruna imediatamente desviou o olhar.
“Não precisa ter vergonha. Não tenho nada que você não tenha também.” Lilian falou com um sorriso que não deixou Bruna mais a vontade. Afinal, estava em uma casa desconhecida com uma estranha que havia acabado de conhecer. “Bruna, o banheiro é logo ali. Pode tomar um banho se quiser. Eu vou preparar um chocolate quente e pegar algo para você vestir.”
Bruna entrou no banheiro ainda segurando seu bloco de desenhos, e trancou a porta. O banheiro era grande, considerando o tamanho da casa. “Bem, creio que a casa deva ter um quarto, o banheiro, a sala e uma cozinha.”, pensou a garota. Olhou para o espelho e viu seu reflexo: cabelos desarrumados, rosto sujo, camisa enlameada. O rosto, bonito apesar da falta de cuidado, tinha uma aparência cansada e triste. Os olhos castanhos não brilhavam mais, refletindo a opacidade que dominava sua alma.
Ligou o chuveiro. O tocar da água quente na pele gelada fez com que se arrepiasse, e as mãos úmidas e cobertas de sabonete faziam com que seu corpo respondesse ainda mais à mudança de temperatura. Tocou o seio com um dedo, lembrando-se de Lilian, e mentalmente discordando de que ela não tinha nada diferente. Os seios da mulher eram maiores, mas mesmo não sendo extremamente grandes eram firmes e os mamilos rosados na pele branca como leite formavam um conjunto perfeito.
Antes mesmo que se desse conta, Bruna estava acariciando levemente seus próprios seios, e deixou a mão deslizar junto com a água que caía até pouco abaixo de sua barriga. Deixou um gemido escapar ao tocar a área sensível e se deu conta do que estava fazendo, ficando corada e sem graça. A mão recuou e tocou a língua, levando seu próprio gosto consigo. Então apressou-se em terminar o banho.
Pegou uma toalha, enrolou em volta de seu corpo, e abriu um pouco a porta, o suficiente para colocar a cabeça do lado de fora. “Lilian? Desculpe incomodar… mas terminei o banho… Será que você teria…”
A resposta veio de longe, cortando sua fala. “Desculpe! Estou levando a roupa que havia dito. Acabei não prestando atenção no tempo. Estava preparando algo para comermos.” Lilian surgiu do outro lado do corredor, vestida em uma blusa branca, carregando nos braços um vestido preto.
“Acho que ele deve ser do seu tamanho. Eu usava quando era mais nova… espero que não se importe.”
Lilian agradeceu e pegou o vestido, fechando novamente a porta para se trocar. Olhou a roupa. Era de seda com algumas rendas no decote, e parecia confortável. Colocou-o e abriu novamente a porta, encontrando Lilian, que a esperava.
“Você ficou linda nele”, disse com um sorriso. “E ele é confortável para ficar em casa. Venha, preparei um chocolate quente e macarrão. Espero que você goste de molho branco.”
As duas sentaram-se na pequena mesa que Lilian havia colocado na sala. As cadeiras em lados opostos faziam com que se olhassem diretamente. Bruna olhou o prato, pegou os talheres, e provou um pouco do macarrão.
“Como você veio parar aqui, Bruna?” Lilian interrompeu o silencio, com uma voz suave. Bruna olhou para a mulher e depois abaixou os olhos. “Eu estava… desenhando.” Não falou mais nada. Não queria dizer que ali, no meio nada, era onde se sentia menos sozinha.
“Desenhista? Você faria um retrato meu?” Lilian perguntou sem perceber que Bruna havia ficado um tanto nervosa. Tomou um pouco do chocolate quente e olhou para a garota, aguardando a resposta, que não veio. “Bem, creio que quem cala consente. Vou pegar um lápis e uma folha para você, já que seu bloco se molhou. Por quê não me acompanha, assim que terminar?”. Ao falar isso, colocou os talheres de lado.
Bruna comeu mais um pouco e então as duas se levantaram. Lilian levou a garota até o quarto, no fim do corredor. Bruna olhou surpresa a quantidade de quadros pendurados na parede, e alguns até mesmo encostados nos cantos. “Eu gosto de pintar… Faz bem para alma. Mas poucas pessoas algum dia vêem meus quadros.” Um dos quadros chamou a atenção de Bruna. Era uma mulher, nua, com um olhar que parecia vivo. A pele branca e suave, posando deitada em cima de uma colcha vermelha aveludada, lembrava a de Lilian. Porém o rosto era bem diferente, com traços não tão delicados.
“Fiz esse quadro para uma amiga. Essa é a minha cama… exatamente a mesma que você vê agora.” Lilian entregou uma folha e um lápis para Bruna. “Como você gosta de desenhar?”
Bruna não sabia o quê falar. Nunca havia estado em uma situação como aquela antes, com uma pessoa estranha que parecia controlar cada gesto seu. Estava vulnerável, mas não sentia exatamente medo. Apenas estava sem saber o quê fazer. “Se você quiser, posso desenha-la como sua amiga.” Ao terminar de falar, estava chocada consigo mesma. Havia respondido instintivamente, ainda hipnotizada pelo olhar da mulher no quadro.
Lilian ficou séria por um momento, e seu rosto pareceu enrubescer levemente. Então sentou-se sobre a cama e tirou a blusa. Os seios brancos novamente tomaram os olhos de Bruna, que dessa vez observou-os atentamente. Eram pouco maiores que os seus, com mamilos pequenos rosados, um deles coberto pelos cabelos. Também viu que a mulher tinha um pescoço longo e elegante, coberto parcialmente pelos cabelos negros que desciam até a barriga, e brilhavam na luz fraca que iluminava o quarto.
Então a mulher esticou as pernas e tirou a bermuda, ficando apenas com uma calcinha de renda preta. “Você realmente quer desenhar agora?”. Lilian, com movimentos lentos, levantou-se da cama e se aproximou de Bruna, que estava estática. Colocou os braços em volta da cintura da garota e apoiou as mãos em suas costas, puxando-a para si sem força. “Ou você quer a mesma coisa que aquela mulher queria?”
Com a cabeça girando, Bruna não conseguiu ter nenhuma reação, a não ser olhar para os olhos da mulher, que encontravam-se quase encostados nos seus. Logo sentiu o calor de lábios encostando nos seus e abriu a boca sem resistência, deixando com que a umidez da língua da mulher tocasse sua própria. Fechou os olhos.
O beijo foi longo e profundo, com as duas línguas movendo-se como se houvessem combinado o que fariam. O perfume da mulher a embriagava, e não ofereceu qualquer resistência ao sentir que ela levantava seu vestido. Sentiu a boca deixar a sua, indo percorrer seu pescoço em uma trajetória descendente em direção à seus seios, onde foi repousar.
Um gemido escapou-lhe dos lábios quando sentiu a boca morder seu mamilo, e seu corpo arrepiou-se inteiramente quando seu seio foi sugado por ela. Sentia as mãos acariciarem um de seus seios enquanto o outro era beijado, e sentia um calor tomar-lhe o corpo. O lápis e a folha caíram, ecoando no quarto silencioso.
Seu corpo foi deitado na cama, e sentiu o corpo da mulher cobri-la. A maciez da pele, o volume dos seios, o calor da respiração, a umidade do beijo. Uma das mãos deixou o seio e traçou um caminho por sua barriga, arranhando-a com a unha. Quando o dedo tocou seu clítoris não conseguiu conter-se e gemeu novamente.
Seu corpo contraía-se involuntariamente a cada vez que o dedo tocava o ponto sensível. Lilian parou de beijar os seios de Bruna, ficando apenas observando o rosto da garota, que carregava um sorriso contorcido. Sentia seu dedo ficar cada vez mais molhado, deslizando facilmente, e logo levou outro dedo para a área quente. Bruna arcou as costas, sentindo a fricção dos dois dedos, e uma onda invadiu seu corpo fazendo-a gritar. Lilian sorriu, e rapidamente levou a boca até a região entre as pernas da garota, colocando a língua em seu corpo e sentindo seu sabor.
Bruna não estava pensando em mais nada, sendo levada pelo prazer que sentia no momento. A língua quente provocava sensações maravilhosas, ao ponto de se tornarem insuportáveis. Já não agüentava mais quando sentou-se, sem fôlego, para encontrar o rosto sorridente de Lilian.
“Chega!” Falou ofegante, sentindo seu suor cobrir seu corpo. Lilian então colocou seu corpo sobre o dela, levando a mão da garota até entre suas próprias pernas. “Eu mal comecei… e você não fez nada ainda… se pensa que vai sair assim, está muito enganada.”
Entendendo o que a mulher queria, Bruna tocou-a e seus dedos ficaram imediatamente molhados. Deslizou dois deles pela dobra macia, sendo atraída pelo calor como uma mariposa era atraída pela lua. No começo os movia timidamente, mas logo foi perdendo a vergonha ao ver que Lilian começava a gemer. Logo estava tocando a si mesma além da mulher, apesar de se sentir muito sensível.
Lilian, percebendo que se aproximava do clímax e vendo que logo Bruna não agüentaria mais, levantou uma das pernas da garota e fez com que os dois corpos se tocassem. As duas gemiam e ofegavam como se fossem um só corpo, a transpiração de ambas se misturando sobre os corpos. Logo as duas estavam deitadas lado a lado, abraçadas, apenas olhando-se. Acabaram dormindo.
No dia seguinte Bruna acordou e viu que Lilian estava colocando a roupa dela ao lado da cama. A mulher sorriu ao vê-la acordada. “Ia deixar um bilhete. Tenho que sair, mas deixei sua roupa pronta. Está sol, então não deve ser problema para voltar para casa.”
Bruna sentiu um aperto no peito. “Posso vê-la de novo?” Lilian sorriu como se houvesse ouvido uma criança fazer uma pergunta óbvia. “Sempre que você quiser. E precisar. Sempre que estiver chorando eu irei encontrá-la. E sempre que suas lágrimas houverem secado irei deixar tudo pronto para que volte para casa.”
Deu um beijo na testa da garota e andou até a porta. Parou por um momento e virou-se. “E você ainda me deve um quadro. Mas não se preocupe. Eu também demorei até fazer aquela pintura. Teremos tempo.”
Então saiu do quarto, e Bruna ouviu a porta da casa fechar-se.